As nuvens cobrem a luminosidade dos céus. O dia é triste. A vida é triste.
A chuva une-se com o gélido vento para tentar penetrar no interior da habitação, jogando-se contra os vidros ferozmente. Mas o que me habita já é desolador o suficiente. A chuva e o vento não podem destruir o danificado.
A cabeça pesa, o estômago dá voltas, os pessimistas pensamentos amontoam-se e o “nó” na garganta cresce, permanecendo, contudo, tudo imóvel. O tempo é infinito e impossível de ser alcançado. De subido, uma aberta, mas sem sol, esvoaça na mente.
A beleza de um pulso branco, com as suas veias translúcidas imana das profundezas do meu ser. A pulsação aprisionada no corpo, prestes a ser libertada da sua função milenar.
Quase que consigo ver um pequeno e preciso corte num inocente capilar, fazendo-o chorar de forma continua. Depois, prosseguindo o choro, um corte que liberte todo o pulso.
O sangue vermelho vivo desliza pela branca pele aveludada, manchando os tecidos que a envolvem.
E os pensamentos? Desconheço. Talvez medo, hesitação, vergonha, arrependimento, angústia ou liberdade. Desconheço-os…
Contudo, a imagem é bela. As gotas caem gentilmente, seguindo a força da gravidade, criando uma pequena poça. A mão, que era branca, pálida fica, criando-se o contraste perfeito.
Finalmente tudo fica efectivamente imóvel. O interior iguala o que o rodeia, apenas se movendo a chuva e o vento. Tentam penetrar cá dentro, na habitação. Mas mesmo que conseguissem, não podem destruir o danificado.
Ana Matos
13.01.2008
A chuva une-se com o gélido vento para tentar penetrar no interior da habitação, jogando-se contra os vidros ferozmente. Mas o que me habita já é desolador o suficiente. A chuva e o vento não podem destruir o danificado.
A cabeça pesa, o estômago dá voltas, os pessimistas pensamentos amontoam-se e o “nó” na garganta cresce, permanecendo, contudo, tudo imóvel. O tempo é infinito e impossível de ser alcançado. De subido, uma aberta, mas sem sol, esvoaça na mente.
A beleza de um pulso branco, com as suas veias translúcidas imana das profundezas do meu ser. A pulsação aprisionada no corpo, prestes a ser libertada da sua função milenar.
Quase que consigo ver um pequeno e preciso corte num inocente capilar, fazendo-o chorar de forma continua. Depois, prosseguindo o choro, um corte que liberte todo o pulso.
O sangue vermelho vivo desliza pela branca pele aveludada, manchando os tecidos que a envolvem.
E os pensamentos? Desconheço. Talvez medo, hesitação, vergonha, arrependimento, angústia ou liberdade. Desconheço-os…
Contudo, a imagem é bela. As gotas caem gentilmente, seguindo a força da gravidade, criando uma pequena poça. A mão, que era branca, pálida fica, criando-se o contraste perfeito.
Finalmente tudo fica efectivamente imóvel. O interior iguala o que o rodeia, apenas se movendo a chuva e o vento. Tentam penetrar cá dentro, na habitação. Mas mesmo que conseguissem, não podem destruir o danificado.
Ana Matos
13.01.2008
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