sábado, 16 de agosto de 2008

Revolta

Este simples texto foi redigido em função de uma pessoa cuja amizade me é muito especial. Foi a minha “musa inspiradora”. E apenas tentei descrever o que julgo que ela sentia, naquele momento em que falamos. No fundo, o texto fala de todos nós, que procuramos a aceitação constante, tentando nunca perder a nossa identidade individual.


Revolta


Não sou perfeita. Sou humana. Posso ter muitos defeitos, mas tenho mais qualidades ainda.
Podem acusar-me de muita coisa, excepto de não me preocupar com os outros e de não dar sempre o meu melhor.
Sou fruto de tudo o que me rodeia, inclusive, e principalmente, da minha família. Tanto o que tenho de bom como de mau, a vocês agradeço…
Já não sou uma criança e as penas das minhas asas já são fortes para suportar o peso do meu voo. Só me resta que me deixem voar.
“Só se aprende com os próprios erros”, por isso, imploro, deixem-me errar! Deixem-me viver e ser aquilo que sou. Um ser humano com sentimentos ansioso, por amar e ser amado, por quem lhe é mais próximo.
Quantas provas vos tenho que dar!?! Nem todas do mundo chegariam, porque não podem fazer que sinta algo que não sinto.
Admito. Sou culpada. Culpada por lutar pelo que quero! Culpa por não vos querer magoar ou desiludir. Mas mesmo assim, tenho direitos.
Tenho o direito de ser aquilo que quiser ser, e acima de tudo, o dever de ser quem sou!
Eu sempre vos aceitei, por isso, exijo que me aceitem também! E a única razão pela qual vos peço isto, é porque vos amo…


Ana Matos
28.12.2007

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Numa noite de Setembro

Os grilos cantam a sua rotineira canção, que assinala o final do verão.
Ao longe os carros passam na estrada principal, cujos motores quase abafam o som da natureza. No ar persiste uma leve brisa quente, misturada com o cheiro a terra molhada.
As luzes das moradias impedem a noite de penetrar na rua, afastando a escuridão do olhar.
Tudo parece calmo. A paz aparentemente toma conta do momento, como se todos os seres descansassem no seu leito. De tempos a tempos, uma voz faz-se ecoar no vazio, para se extinguir e dar lugar ao silêncio.
Silêncio. Essa bela forma de comunicação… Ausência de ruídos destabilizadores que perturbam a mente e impulsionadora de nobres ou nefastos pensamentos.
O silêncio não se escuta, sente-se. Sente-se dentro de nós, graças à capacidade de abstracção ou à leveza da alma.
Hoje em dia já não existe silêncio. Na suposta evolução perdemos a capacidade de ouvir os outros e de ouvir a nós mesmos. Já não se sente, pensasse. Julgo que até a própria alma se perdeu no corpo e que o que antes era certo, agora procurasse desesperadamente.
Adoro a melodia dos grilos… É a calmante. Recorda-me a minha doce infância.
O ideal seria regressar à idade da inocência. Mas o mundo não é feito de idealismo, mas sim de idealistas, que um dia serão corrompidos, abrindo os olhos para o mundo real. Por isso, e enquanto sou feita de ideais, tento ouvir o meu silencio, acompanhado pela orquestra desta noite
.


14.09.2007 – 0:25
Ana Matos

Breve Reflexão

As palavras são voláteis, os gestos ambíguos. Nada nesta vida é certo. Nem a memoria, que muitas vezes nos atraiçoa. Os sentimentos mudam, transformam-se, evoluem ou simplesmente extinguem-se. Só o momento de agora é genuinamente nosso. Se o agora amanhã é passado, faz do teu futuro doces recordações, mesmo que apenas sejam a tua verdade.


13.09.2007 – 0:38
Ana Matos

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