O ensino básico já passou. Espera-me uma nova etapa. A escolha do agrupamento não se deve aos testes vocacionais, que apontavam para história/humanidades, mas sim à minha vontade. Escolhi a área de ciências, sem nenhuma profissão em mente. Simplesmente coloquei na cabeça que era péssima a línguas, que não sabia desenhar (o que é deveras verdade) e que não gostava de economia. Decidi fazer o percurso da minha irmã e escolher a minha terceira língua, o francês, separando-me assim dos meus colegas, que continuariam a ter inglês no secundário. Quis o destino que assim não fosse, ou melhor, a ministra da educação. Sete anos se passaram deste das aulas da minha irmã, e fui obrigada ter inglês nos dois anos seguintes. Não se relevou nada de trágico. Hoje, inclusive, vejo como foi benéfico para mim.
Apesar das minhas resistências às mudanças, com a companhia de alguns colegas anteriores e o surgimento de novas amizades, tudo correu bem.
Conheci as pessoas do Forte da Casa, como a Grishma, a Tânia, a Sónia, a Soraia entre outros, assim como os da Póvoa, como o David (Costa) e o Tiago. Também entraram na minha vida alguns indivíduos de Vialonga, que conhecia de vista, tal como, a Ana Inês (Chapa), Tatiana, Susana e Gonçalo. Algumas pessoas tiveram mais relevância que outras no inicio enquanto outras acompanharam-me no meu trajecto.
Grishma
Grishma. A primeira vez que vi o seu nome, escrito na folha afixada na janela do bloco, julguei ser um rapaz. Vim no primeiro dia de aulas a descobrir que era uma rapariga. A primeira vez que a vi, a subir as escadas para o refeitório, acompanhada da Sónia e da Luísa, julguei-a mal. O seu cabelo muito loiro e olhos azuis fez-me automaticamente aplicar o estereótipo de «loira boazona», convencida por natureza. Distraída como sou, nem reparei que a sua pálida pele e cabelo amarelo eram simplesmente um sinal de falta de pigmentação, característico de albinismo. A nossa primeira conversa foi sobre assombramentos. Contudo, o tema viera depois de um desabafo meu em forma de crítica, sobre o professor de Físico-Química, que me interrogou sobre o porquê da escolha deste agrupamento. Foi mais o seu comentário, à minha falta de planos para o futuro, que me irritou. A Grishma, sempre generosa, afirmou que até tinha gostado do professor e que não via nada de mal. Foi o suficiente para o surgimento de uma brincadeira que levou toda a turma a chamar o prof. de «Jojô da Grishma». A criação do seu filho em comum, o «Grishmão» veio mais tarde. A brincadeira não era ofensiva, nem era essa a sua intenção. Entretanto, ela e a Chapa passaram o ano lectivo a olhar para a parte da frente das calças do Jojô, afirmando que algo lhes saltava à vista. Taradas!?! E depois eu é que detinha a fama… Só porque usava coleira. Um sinal da minha rebeldia adolescente.
Chapa, Tatiana e Gonçalo
Já as conhecia de vista, do ensino básico. Julgava-as umas pindéricas convencidas. Chamávamos elas de «Tias» por causa do seu modo de vestir e porque os pais iam muitas vezes pô-las à escola e leva-las. Segundo a Chapa, a primeira impressão que teve de mim era de eu ser uma gozona, pois uma certa vez, no autocarro, as suas meias de rede romperam-se e eu gozei com a situação. Não me lembro desse episódio. Mas não devo ter sido a única a ter essa reacção. A primeira recordação que tenho dela é de ela estar sentada na secretária, ao lado da Tatiana, junto à parede, com os óculos na ponta do nariz, a observar extasiada uma caneta, que segurava nas mãos. Jamais esquecerei a sua boca aberta, como se estivesse espantada e fosse a primeira vez que olhasse para uma caneta. Estava ridícula. Demonstrando a falta de interesse pela aula de uma forma absolutamente «croma». Aí, recordo-me de ter gozado da situação. Tinha-se desvanecido a impressão inicial de snobe. Vim pouco tempo depois descobrir que se tratava de uma tarda! No bom sentido. Uma boa pessoa para se dialogar, para voar levemente.
Não consigo recorda-me da Tatiana sem a Chapa. Sempre as associei. Nunca desenvolvi uma amizade forte com ela. Talvez porque levasse as coisas demasiado a serio. Encarava a escola com seriedade, pois tinha que possuir notas para ser médica, ou pelo menos, enfermeira. Tinha a noção de média muito acentuada. Gosto dela. Mas por alguma razão, nenhum laço genuinamente profundo se desenvolveu entre nós. Mas também entrava nas nossas brincadeiras. Também, não tinha muito remédio.
No Básico desconfiava que o Gonçalo era gay, tal como o seu amigo Rúben. Depois de umas perguntas ali e acolá, ninguém confirmou as minhas suspeitas. Com um ar arrogante de poucos amigos, fez-me passar bons bocados. Comecei a chama-lo de «Ratinho» por causa do feitio dos seus dentes. Não eram feios. Eram iguais aos meus mas de maiores dimensões. O seu passatempo, juntamente com o Costa, era mandar-me ao chão, atirar-me na relva… enfim, judiarias!? Mas divertíamo-nos todos. Houve uma vez que me roubou um beijo para ganhar umas cartas magic. Criancices…
Andreia
O exemplo puro de aluna aplicada e filha perfeita. Numero um em tudo. Demonstrava frustração quando assim não acontecia. Ficava desiludida com 16 valores, excepto a matemática. Namorava com um rapaz chamado Victor e raramente, ou quase nunca, passa os intervalos connosco. Nesse ano, a sua existência passou-me ao lado.
David (Costa)
Cromo. Foi essa primeira impressão que tive dele. Sem dúvida que sou péssima a julgar as pessoas à primeira vista. Era incapaz de entender o que ele dizia, pois estava na mudança de voz. Chamávamos-lhe de «assassino em serie». Sempre que alguém faltava dizíamos que ele tinha morto, cortado aos pedaços e colocado na sua enorme mala quadrada. Tinha um certo prazer em impedir as pessoas de Vialonga a saírem na paragem, obrigando-as a dar a volta à Quinta da Piedade. Mas com o tempo relevou-se um bom amigo. Apesar de fazer “o 31” comigo, pondo-me sempre no chão. Tudo na brincadeira, como é óbvio.
Tânia
«Muda». Esta seria a palavra para a descrever ao fim do 1º dia de aulas. Aliás, a sua voz ecoava pouco. Provavelmente devido à sua timidez, levou algum tempo a ambientar-se. Como sorrir não era o seu forte e olhar as pessoas nos olhos muito menos, passava, a impressão de ser antipática ou muito frágil.
Sossegada no seu canto, demonstrou-se extremamente inteligente, aluna aplicada e muito gentil. Passadas as primeiras impressões, houve muitas conversas interessantes e uma grande aproximação. A sua passagem pelo secundário foi atribulada, para não ser problemática. Julgo que possui o poder de atrair azar para si. Se é que alguém possui esse poder.
Diana, Dora e Marta
A Diana e a Marta já eram minhas colegas. Não eram as pessoas com quem mais me identificava, mas ambas eram muito simpáticas e afáveis. Acho que pertencem aquele leque de pessoas que aparentam nunca mudarem…
A Diana tinha muito jeito para teatro e passava a vida a namorar. Também andava sempre acompanhada da Dora. Esta ultima era muito particular. Conhecem aquele género de pessoas que ao contar uma história, por mais interessante que ela seja, conseguem fazer com que se perca o interesse? Ela era assim. E convencida, no meu ponto de vista. Passava a vida a falar dos fim-de-semanas na sua terrinha. De como se divertia com os moços de lá... E blá, blá, blá… Passei as aulas do 11ºano ao seu lado e confesso que muitas vezes desligava o meu cérebro. Simplesmente deixa de ouvi-la. Caso contrario estaria a por em risco a minha sanidade mental. Mas não era má pessoa. Até gostava dela. Apenas era pouco chata.
Baldas. Baldas. Inteligente. Divertida. Baldas. Simpática, genuína e baldas. É a melhor maneira de descrever a Marta. Uma querida. Estudava quinze minutos antes dos testes, num café barulhento, e tirava positivas altas. Faltava muito. Talvez por isso mesmo, nunca desenvolvemos uma verdadeira amizade. Mas era e é boa rapariga.
Carina e Tiago
O casal maravilha. Conheceram-se no 10º ano e namoram uns três anos. Ele tinha a face quadrada e era convencido. Mas não tenho nada apontar contra. Excepto a sua forma de vestir. Calça branca justa, t-shirt do Benfica e fio de ouro à mostra. Numa palavra: Medonho!?!
Comecei a andar com a Carina quando, no 7ºano, ela queimou o pé. Costumava fazer-lhe companhia até casa. Depois começamos a ir juntar para a escola e começamos a ser amigas. Lembro-me de lhe ajudar a estudar para os testes e de como fiquei triste quando ela chumbou. Dissimulada, só descobri quem ela era verdadeiramente muitos anos depois.
(Mesmo que não mereça destaque, o mal faz parte da vida. Não se deve confina-lo ao esquecimento. A recordação lembra-nos das lições que apreendemos.)
Susana, Silva, Márcia e Nabila
As duas primeiras, aparentemente descontroladas, pareciam siamesas. Estavam embriagadas pelos prazeres da vida e novas descobertas. Entre maluquices, estudo e gargalhadas, aproveitaram os seus últimos anos de adolescência de forma vigorosa.
Robin Williams. Nesse ano a Márcia escrevia o seu nome em qualquer quadro negro desprotegido, que conseguisse alcançar. Era sua fã incondicional. Uma pessoa «humana» e de ideais fortes. Teria sido interessante desenvolver uma relação mais próxima com ela. Mas não se proporcionou.
Quanto à Nabila, a melhor palavra para a descrever é «ego-indestrutível». Sei que essa palavra não existe, mas julgo aplicar-se correctamente. Ela sabe o que quer, luta pelo que quer e nada nem ninguém a conseguia deitar abaixo. Se a vida é uma selva, ela pertence ao topo da cadeia alimentar. Segundo suas palavras, “nós” pertencíamos ao «grupo da seca». O engraçado consiste no facto do grupo da seca ter sido o único a sobreviver às mudanças do tempo…
Viva aos «secosos»!!!
Joãozinho, Fábio, Rossi & SA.
O Joãozinho já tinha sido da minha turma no 5ºano. Pouco falávamos. No decurso do secundário o mesmo aconteceu… Descreve-lo. Neste momento não consigo. A única palavra que me ocorre é: Gozão.
O Fábio devia ser hiper-activo. Quando estávamos juntos na aula de inglês ele não parava quieto um segundo!?! Ficava atordoada só de o ver a mexer. De um lado para o outro. Sempre na coboiada com os “rapazes”. Entre eles o Rossi. Esse “fala-barato” que nos fazia rir com as suas palhaçadas. Bastante convencido e… igualmente gozão.
Apesar das minhas resistências às mudanças, com a companhia de alguns colegas anteriores e o surgimento de novas amizades, tudo correu bem.
Conheci as pessoas do Forte da Casa, como a Grishma, a Tânia, a Sónia, a Soraia entre outros, assim como os da Póvoa, como o David (Costa) e o Tiago. Também entraram na minha vida alguns indivíduos de Vialonga, que conhecia de vista, tal como, a Ana Inês (Chapa), Tatiana, Susana e Gonçalo. Algumas pessoas tiveram mais relevância que outras no inicio enquanto outras acompanharam-me no meu trajecto.
Grishma
Grishma. A primeira vez que vi o seu nome, escrito na folha afixada na janela do bloco, julguei ser um rapaz. Vim no primeiro dia de aulas a descobrir que era uma rapariga. A primeira vez que a vi, a subir as escadas para o refeitório, acompanhada da Sónia e da Luísa, julguei-a mal. O seu cabelo muito loiro e olhos azuis fez-me automaticamente aplicar o estereótipo de «loira boazona», convencida por natureza. Distraída como sou, nem reparei que a sua pálida pele e cabelo amarelo eram simplesmente um sinal de falta de pigmentação, característico de albinismo. A nossa primeira conversa foi sobre assombramentos. Contudo, o tema viera depois de um desabafo meu em forma de crítica, sobre o professor de Físico-Química, que me interrogou sobre o porquê da escolha deste agrupamento. Foi mais o seu comentário, à minha falta de planos para o futuro, que me irritou. A Grishma, sempre generosa, afirmou que até tinha gostado do professor e que não via nada de mal. Foi o suficiente para o surgimento de uma brincadeira que levou toda a turma a chamar o prof. de «Jojô da Grishma». A criação do seu filho em comum, o «Grishmão» veio mais tarde. A brincadeira não era ofensiva, nem era essa a sua intenção. Entretanto, ela e a Chapa passaram o ano lectivo a olhar para a parte da frente das calças do Jojô, afirmando que algo lhes saltava à vista. Taradas!?! E depois eu é que detinha a fama… Só porque usava coleira. Um sinal da minha rebeldia adolescente.
Chapa, Tatiana e Gonçalo
Já as conhecia de vista, do ensino básico. Julgava-as umas pindéricas convencidas. Chamávamos elas de «Tias» por causa do seu modo de vestir e porque os pais iam muitas vezes pô-las à escola e leva-las. Segundo a Chapa, a primeira impressão que teve de mim era de eu ser uma gozona, pois uma certa vez, no autocarro, as suas meias de rede romperam-se e eu gozei com a situação. Não me lembro desse episódio. Mas não devo ter sido a única a ter essa reacção. A primeira recordação que tenho dela é de ela estar sentada na secretária, ao lado da Tatiana, junto à parede, com os óculos na ponta do nariz, a observar extasiada uma caneta, que segurava nas mãos. Jamais esquecerei a sua boca aberta, como se estivesse espantada e fosse a primeira vez que olhasse para uma caneta. Estava ridícula. Demonstrando a falta de interesse pela aula de uma forma absolutamente «croma». Aí, recordo-me de ter gozado da situação. Tinha-se desvanecido a impressão inicial de snobe. Vim pouco tempo depois descobrir que se tratava de uma tarda! No bom sentido. Uma boa pessoa para se dialogar, para voar levemente.
Não consigo recorda-me da Tatiana sem a Chapa. Sempre as associei. Nunca desenvolvi uma amizade forte com ela. Talvez porque levasse as coisas demasiado a serio. Encarava a escola com seriedade, pois tinha que possuir notas para ser médica, ou pelo menos, enfermeira. Tinha a noção de média muito acentuada. Gosto dela. Mas por alguma razão, nenhum laço genuinamente profundo se desenvolveu entre nós. Mas também entrava nas nossas brincadeiras. Também, não tinha muito remédio.
No Básico desconfiava que o Gonçalo era gay, tal como o seu amigo Rúben. Depois de umas perguntas ali e acolá, ninguém confirmou as minhas suspeitas. Com um ar arrogante de poucos amigos, fez-me passar bons bocados. Comecei a chama-lo de «Ratinho» por causa do feitio dos seus dentes. Não eram feios. Eram iguais aos meus mas de maiores dimensões. O seu passatempo, juntamente com o Costa, era mandar-me ao chão, atirar-me na relva… enfim, judiarias!? Mas divertíamo-nos todos. Houve uma vez que me roubou um beijo para ganhar umas cartas magic. Criancices…
Andreia
O exemplo puro de aluna aplicada e filha perfeita. Numero um em tudo. Demonstrava frustração quando assim não acontecia. Ficava desiludida com 16 valores, excepto a matemática. Namorava com um rapaz chamado Victor e raramente, ou quase nunca, passa os intervalos connosco. Nesse ano, a sua existência passou-me ao lado.
David (Costa)
Cromo. Foi essa primeira impressão que tive dele. Sem dúvida que sou péssima a julgar as pessoas à primeira vista. Era incapaz de entender o que ele dizia, pois estava na mudança de voz. Chamávamos-lhe de «assassino em serie». Sempre que alguém faltava dizíamos que ele tinha morto, cortado aos pedaços e colocado na sua enorme mala quadrada. Tinha um certo prazer em impedir as pessoas de Vialonga a saírem na paragem, obrigando-as a dar a volta à Quinta da Piedade. Mas com o tempo relevou-se um bom amigo. Apesar de fazer “o 31” comigo, pondo-me sempre no chão. Tudo na brincadeira, como é óbvio.
Tânia
«Muda». Esta seria a palavra para a descrever ao fim do 1º dia de aulas. Aliás, a sua voz ecoava pouco. Provavelmente devido à sua timidez, levou algum tempo a ambientar-se. Como sorrir não era o seu forte e olhar as pessoas nos olhos muito menos, passava, a impressão de ser antipática ou muito frágil.
Sossegada no seu canto, demonstrou-se extremamente inteligente, aluna aplicada e muito gentil. Passadas as primeiras impressões, houve muitas conversas interessantes e uma grande aproximação. A sua passagem pelo secundário foi atribulada, para não ser problemática. Julgo que possui o poder de atrair azar para si. Se é que alguém possui esse poder.
Diana, Dora e Marta
A Diana e a Marta já eram minhas colegas. Não eram as pessoas com quem mais me identificava, mas ambas eram muito simpáticas e afáveis. Acho que pertencem aquele leque de pessoas que aparentam nunca mudarem…
A Diana tinha muito jeito para teatro e passava a vida a namorar. Também andava sempre acompanhada da Dora. Esta ultima era muito particular. Conhecem aquele género de pessoas que ao contar uma história, por mais interessante que ela seja, conseguem fazer com que se perca o interesse? Ela era assim. E convencida, no meu ponto de vista. Passava a vida a falar dos fim-de-semanas na sua terrinha. De como se divertia com os moços de lá... E blá, blá, blá… Passei as aulas do 11ºano ao seu lado e confesso que muitas vezes desligava o meu cérebro. Simplesmente deixa de ouvi-la. Caso contrario estaria a por em risco a minha sanidade mental. Mas não era má pessoa. Até gostava dela. Apenas era pouco chata.
Baldas. Baldas. Inteligente. Divertida. Baldas. Simpática, genuína e baldas. É a melhor maneira de descrever a Marta. Uma querida. Estudava quinze minutos antes dos testes, num café barulhento, e tirava positivas altas. Faltava muito. Talvez por isso mesmo, nunca desenvolvemos uma verdadeira amizade. Mas era e é boa rapariga.
Carina e Tiago
O casal maravilha. Conheceram-se no 10º ano e namoram uns três anos. Ele tinha a face quadrada e era convencido. Mas não tenho nada apontar contra. Excepto a sua forma de vestir. Calça branca justa, t-shirt do Benfica e fio de ouro à mostra. Numa palavra: Medonho!?!
Comecei a andar com a Carina quando, no 7ºano, ela queimou o pé. Costumava fazer-lhe companhia até casa. Depois começamos a ir juntar para a escola e começamos a ser amigas. Lembro-me de lhe ajudar a estudar para os testes e de como fiquei triste quando ela chumbou. Dissimulada, só descobri quem ela era verdadeiramente muitos anos depois.
(Mesmo que não mereça destaque, o mal faz parte da vida. Não se deve confina-lo ao esquecimento. A recordação lembra-nos das lições que apreendemos.)
Susana, Silva, Márcia e Nabila
As duas primeiras, aparentemente descontroladas, pareciam siamesas. Estavam embriagadas pelos prazeres da vida e novas descobertas. Entre maluquices, estudo e gargalhadas, aproveitaram os seus últimos anos de adolescência de forma vigorosa.
Robin Williams. Nesse ano a Márcia escrevia o seu nome em qualquer quadro negro desprotegido, que conseguisse alcançar. Era sua fã incondicional. Uma pessoa «humana» e de ideais fortes. Teria sido interessante desenvolver uma relação mais próxima com ela. Mas não se proporcionou.
Quanto à Nabila, a melhor palavra para a descrever é «ego-indestrutível». Sei que essa palavra não existe, mas julgo aplicar-se correctamente. Ela sabe o que quer, luta pelo que quer e nada nem ninguém a conseguia deitar abaixo. Se a vida é uma selva, ela pertence ao topo da cadeia alimentar. Segundo suas palavras, “nós” pertencíamos ao «grupo da seca». O engraçado consiste no facto do grupo da seca ter sido o único a sobreviver às mudanças do tempo…
Viva aos «secosos»!!!
Joãozinho, Fábio, Rossi & SA.
O Joãozinho já tinha sido da minha turma no 5ºano. Pouco falávamos. No decurso do secundário o mesmo aconteceu… Descreve-lo. Neste momento não consigo. A única palavra que me ocorre é: Gozão.
O Fábio devia ser hiper-activo. Quando estávamos juntos na aula de inglês ele não parava quieto um segundo!?! Ficava atordoada só de o ver a mexer. De um lado para o outro. Sempre na coboiada com os “rapazes”. Entre eles o Rossi. Esse “fala-barato” que nos fazia rir com as suas palhaçadas. Bastante convencido e… igualmente gozão.
Os SA. são outras pessoas associadas, das quais não me apetece falar… Sou só uma!?! Além disso não pretendo falar da turma em si. Mas das pessoas mais próximas que me acompanharam num percurso da minha vida.
Ana Filipa Matos