terça-feira, 12 de agosto de 2008

Numa noite de Setembro

Os grilos cantam a sua rotineira canção, que assinala o final do verão.
Ao longe os carros passam na estrada principal, cujos motores quase abafam o som da natureza. No ar persiste uma leve brisa quente, misturada com o cheiro a terra molhada.
As luzes das moradias impedem a noite de penetrar na rua, afastando a escuridão do olhar.
Tudo parece calmo. A paz aparentemente toma conta do momento, como se todos os seres descansassem no seu leito. De tempos a tempos, uma voz faz-se ecoar no vazio, para se extinguir e dar lugar ao silêncio.
Silêncio. Essa bela forma de comunicação… Ausência de ruídos destabilizadores que perturbam a mente e impulsionadora de nobres ou nefastos pensamentos.
O silêncio não se escuta, sente-se. Sente-se dentro de nós, graças à capacidade de abstracção ou à leveza da alma.
Hoje em dia já não existe silêncio. Na suposta evolução perdemos a capacidade de ouvir os outros e de ouvir a nós mesmos. Já não se sente, pensasse. Julgo que até a própria alma se perdeu no corpo e que o que antes era certo, agora procurasse desesperadamente.
Adoro a melodia dos grilos… É a calmante. Recorda-me a minha doce infância.
O ideal seria regressar à idade da inocência. Mas o mundo não é feito de idealismo, mas sim de idealistas, que um dia serão corrompidos, abrindo os olhos para o mundo real. Por isso, e enquanto sou feita de ideais, tento ouvir o meu silencio, acompanhado pela orquestra desta noite
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14.09.2007 – 0:25
Ana Matos

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